A DECADÊNCIA DO FUTEBOL CATARINENSE!
A DECADÊNCIA DO FUTEBOL CATARINENSE!
O futebol catarinense, que já teve seus “dias de glória”, vive momentos difíceis, desportivamente falando. Os grandes clubes do estado, que eram vistos constantemente na elite do futebol nacional, perderam espaço e, além disso, parecem estar indo ladeira abaixo. O alento é que alguns clubes estão procurando se organizar administrativamente e, talvez, quem sabe, voltem a brilhar nacionalmente.
Ao voltarmos um pouco na história do futebol catarinense, podemos ver que os grandes clubes do estado alcançaram marcas importantes.
Avaí Futebol Clube
Em 2009, realizou a melhor campanha de um clube catarinense na Série A do Campeonato Brasileiro até então, chegando à sexta colocação. Em 2011, foi semifinalista da Copa do Brasil, sendo eliminado pelo Vasco da Gama.
Figueirense Futebol Clube
O Figueirense chegou às quartas de final da Copa do Brasil em 2005, sendo eliminado pelo Paulista de Jundiaí. Já em 2007, foi finalista e perdeu o título para o Fluminense. Outra marca importante da equipe foi permanecer por seis anos consecutivos na elite do futebol brasileiro na era dos pontos corridos, de 2003 a 2008.
Associação Chapecoense de Futebol
Em 2016, foi finalista da Copa Sul-Americana e declarada campeã após o trágico acidente aéreo. Em 2017, disputou sua primeira Copa Libertadores e conseguiu a inédita oitava colocação na Série A do Campeonato Brasileiro.
Em 2015, o futebol catarinense contou com a participação de quatro clubes na Série A do Campeonato Brasileiro: Avaí, Figueirense, Chapecoense e Joinville. Na ocasião, o Criciúma disputava a Série B. De lá para cá, as equipes foram despencando no cenário nacional, até que, nos anos de 2020, 2023 e 2025, não houve a participação de nenhum clube catarinense na elite nacional.
Na atualidade, o Avaí está há quatro anos disputando a Série B do Brasileirão e lutando contra o rebaixamento para a Série C. O Figueirense foi rebaixado para a Série B do Campeonato Catarinense e, em 2027, irá disputar a Série C pela sétima vez. O Joinville, que também foi rebaixado para a Série B do Campeonato Catarinense, ainda está sem nenhuma competição nacional no calendário de 2027.
Mas a pergunta é: o que aconteceu com os clubes do futebol catarinense? Onde eles se perderam? No modelo de gestão, na falta de investimento ou na falta de suporte da Federação Catarinense de Futebol?
Na realidade, acredito que seja uma junção de fatores. Há quem diga que o falecimento de Delfim Peixoto, então presidente da Federação Catarinense de Futebol, no trágico acidente aéreo com a equipe da Chapecoense, em 2016, interferiu bastante na continuidade do crescimento dos clubes do estado. Ele presidiu a Federação Catarinense de Futebol de 1985 até 2016, ano de seu falecimento.
Delfim Peixoto era o “homem forte” que brigava pelos clubes do estado junto à CBF, fazendo com que não ficassem enfraquecidos nacionalmente. Ele também exercia o cargo de vice-presidente da CBF desde abril de 2015. Após seu falecimento, os clubes já não tiveram tanto respaldo da Federação Catarinense de Futebol.
Na minha opinião, o ponto principal é o modelo de gestão adotado pelos clubes catarinenses nos últimos anos. Na maioria dos casos, as gestões foram pautadas pela falta de um direcionamento claro. Mesmo quando havia um planejamento no papel, existia grande dificuldade para colocá-lo em prática.
A falta de profissionalização no departamento de futebol é outro fator importante. Em um passado recente, dirigentes abnegados, que sempre demonstraram uma ligação de vida e paixão pelo clube, mas que nem sempre possuíam conhecimento sobre gestão do futebol, eram colocados à frente de decisões importantes e acabavam se perdendo em escolhas tomadas pela emoção.
Sobre a falta de investimento, esse modelo de gestão desorganizado, sem planejamento e com falta de profissionalismo acaba afastando os torcedores, os possíveis parceiros e os patrocinadores. Dessa forma, a queda no rendimento desportivo torna-se inevitável.
A grande referência em gestão do futebol no estado é o Barra Futebol Clube, que foi campeão brasileiro da Série D em 2025, campeão catarinense em 2026 e que, também em 2026, teve sua primeira participação na Copa do Brasil.
Como escrevi no início do texto, o alento que fica é que alguns clubes estão procurando se organizar administrativamente e profissionalizar seus departamentos de futebol.






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