Futebol catarinense

O fim de uma era

13/10/2026 15:54 Leandro Meneses

Enquanto muitos almoçavam no início de uma tarde nublada, no dia 25 do mês passado, o quadro de arbitragem da Federação Catarinense de Futebol ouvia atentamente o anúncio que marcava o fim de uma era na arbitragem catarinense: a saída de Cantucho João Setúbal, querido por todos, do Departamento de Arbitragem.

Natural de Biguaçu, Cantucho tem 69 anos e é um dos fundadores do Sindicato dos Árbitros Federados de Santa Catarina. Além disso, foi o primeiro ouvidor exclusivo da arbitragem catarinense. Ingressou no quadro da Federação em 1985 e, em 1989, passou a integrar o quadro nacional de árbitros, onde permaneceu até encerrar sua carreira nos gramados, em 2000. Em 2017, passou a fazer parte do Departamento de Arbitragem da Federação Catarinense de Futebol, onde dedicou seu tempo e trabalho aos bastidores do nosso futebol.

Com sua postura, seu exemplo, sua didática e seu jeito atencioso de tratar as pessoas, Cantucho logo se tornou um verdadeiro “paizão” para todo o quadro de arbitragem. Não conheço uma única pessoa que tenha algo negativo a dizer sobre ele. Ao longo de quase uma década de serviços prestados ao Departamento, conquistou o respeito e o carinho de todos, tornando-se uma unanimidade entre aqueles que tiveram o privilégio de conviver com ele.

Mas havia algo que ele, sempre em busca da excelência em tudo o que fazia, ainda sentia que poderia melhorar: a convivência com a família e, especialmente, com os netos.

A família desempenha um papel fundamental na carreira de um árbitro. Quem vive o dia a dia da arbitragem sabe que, muitas vezes, é preciso abrir mão de acontecimentos importantes, deixar de comparecer a festas, perder aniversários e casamentos. São momentos sacrificados em nome da profissão. Por isso, a família precisa compreender essa rotina e, acima de tudo, servir de rede de apoio naqueles momentos em que o árbitro só deseja o aconchego dos seus após um jogo difícil ou a marcação de um pênalti duvidoso.

Para quem integra uma comissão de arbitragem, a pressão pode ser ainda maior, pois são seus membros os responsáveis pelas escalas dos árbitros. Cantucho, no entanto, protegia seus comandados e assumia a responsabilidade perante os clubes que o pressionavam, até mesmo quando não tinham razão. Muitas vezes, essas cobranças eram utilizadas pelos clubes como justificativa para seus próprios resultados.

Essa foi a rotina de um homem incansável, que se dedicou intensamente à arbitragem enquanto esteve à frente de suas funções.

Agora, Cantucho decidiu assumir integralmente o papel de avô — e fez muito bem. Afinal, sua contribuição e seu legado já se confundem com a própria história recente da arbitragem catarinense.

Mas, para você que sonha em ser árbitro de futebol, há uma boa notícia: Cantucho continua como instrutor da Escola Catarinense de Árbitros. Isso significa que você ainda pode ter o privilégio de aprender com uma das grandes figuras da história da arbitragem de Santa Catarina!

Sucesso, querido mestre!

##Arbitragem